A obesidade é uma doença crônica, que afeta um número elevado de pessoas por todo o mundo. Por sua alta prevalência, é notório que o cirurgião-dentista esteja atento aos aspectos relacionados a esta condição, uma vez que ela pode interferir no curso de doenças bucais, como cárie e doenças periodontais.

Que ela é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo, isso nós já sabemos. Entretanto, precisamos estar mais atentos, pois, os padrões de diagnóstico atuais não podem se limitar apenas às medidas do Índice de Massa Corporal (IMC).

O IMC é um parâmetro importante da avaliação, mas, a circunferência abdominal tem sido apontada como um fator crucial de análise.

A obesidade abdominal, e a elevada ocorrência desta no mundo tem sido confirmada em diferentes grupos étnicos por meio de estudos epidemiológicos e clínicos.

A obsidade abdominal

Este particular padrão de obesidade é um desafio para a saúde pública, sendo considerada simultaneamente situação de enfermidade e fator de risco para o desenvolvimento de doenças metabólicas, cardiovasculares e morte, mesmo na ausência de excesso de peso ou obesidade generalizada.

Observe a seguir as formas de diagnóstico com base nos dois critérios: IMC e circunferência abdominal, conforme preconizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

A prevalência de obesidade

A prevalência de obesidade vem aumentando na grande maioria dos países desenvolvidos com raras exceções. Isto tem resultado em aumentos preocupantes também na prevalência de Diabetes Mellitus tipo 2, um dos mais importantes fatores de risco para doença cardiovascular, insuficiência renal e perda da visão.

O aumento da prevalência da obesidade no Brasil é preocupante. Estamos assistindo em nosso país à chamada transição nutricional que consiste na redução dos índices de desnutrição e aumentos na prevalência de obesidade.

Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 e publicados na Agência Brasil, no Brasil, entre os anos de 2003 e 2019, a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade do Brasil mais que dobrou, passando de 12,2% para 26,8%. No período, a obesidade feminina passou de 14,5% para 30,2% e se manteve acima da masculina, que subiu de 9,6% para 22,8%.

Já a proporção de pessoas com excesso de peso na população com 20 anos ou mais de idade subiu de 43,3% para 61,7% nos mesmos 17 anos. Entre os homens, foi de 43,3% para 60% e, entre as mulheres, de 43,2% para 63,3%.

Quando analisamos o comportamento da prevalência da obesidade com relação aos tercís de faixa de renda é possível observar que na população mais pobre é que este aumento vem ocorrendo de forma mais acentuada.

Paralelamente observa-se nas grandes cidades, e principalmente naquelas da região nordeste, um aumento no consumo de gorduras na dieta.

Por outro lado, região sudeste, onde há maior concentração de renda, nas mulheres de maior poder aquisitivo, já se observa uma redução na prevalência da obesidade. Esse dado sugere um maior acesso às informações mas não refletem necessariamente maior cuidado com a saúde.

A pressão social, o padrão de beleza adotado atualmente, o culto ao corpo podem levar esta faixa da população e principalmente as mais jovens à comportamentos e hábitos não necessariamente saudáveis e que necessitam maior avaliação.

As diferenças na deposição de gordura corporal em homens e mulheres são observadas desde a fase fetal, tornando-se mais pronunciadas com o passar da idade. Além do efeito do dimorfismo sexual, as diferenças étnico-raciais também mostram influência sobre a obesidade abdominal. Sabe-se que essas disparidades provocam desigualdades nos desfechos de saúde relacionados à essa obesidade.

Reflexões sobre determinantes socioeconômicos

A atual e crescente epidemia de obesidade deve ter consequências adversas de longo prazo em despesas de saúde e prevalência de doenças não transmissíveis (particularmente diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cânceres).

E quando falamos de saúde pública, as ações preventivas ainda na infância são de extrema importância, não apenas para reduzir a condições agudas e crônicas associadas à própria criança, mas também para evitar a obesidade adulta.

Entretanto, há evidentes desigualdades no risco de obesidade infantil em relação à origem étnica e posição socioeconômica. Em países desenvolvidos, as crianças pertencentes aos estratos socioeconomicamente desfavorecidos ou de grupos étnicos minoritários normalmente apresentam taxas mais altas de sobrepeso e obesidade.

No entanto, nos estudos sobre obesidade, é importante destacar que aspectos socioeconômicos podem gerar resultados tanto protetores quanto negativos quanto ao acúmulo de gordura corporal (por conta das variações de nível educacional, renda, ocupação, etc.).

Há uma estrutura recente que explora caminhos para esclarecer as desigualdades raciais / étnicas relacionadas à obesidade.

Nestes novos estudos são avaliados os contextos sociais, econômicos, acesso aos serviços de saúde, sistema alimentar, aspectos ambientais, cultura nacional e contextos históricos. Cruzando estes dados com raça/etnia, foram vistos variáveis importantes que podem contribuir para o contexto da obesidade tais como estresse e trauma, pobreza, opressão, discriminação, genética e comportamento.

Isso destaca o interação complexa de forças sociais, econômicas, históricas e culturais em diferentes grupos étnicos, o que requer mais investigação para evitar o aumento das desigualdades.

Fatores de risco para obesidade que devem ser considerados na avaliação do cirurgião-dentista

É importante e identificação dos fatores de risco apresentado pelo nosso paciente, tanto para o início como para maior gravidade de quadros de obesidade. Levando-se sempre em consideração uma condução multiprofissional, é importante que estejamos cientes quanto alguns aspectos importantes de diagnóstico.

Além do IMC e circunferência abdominal, podemos destacar também esses aspectos:

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