Seria a inflamação o nexo entre Disbiose e Periodontite?

A relação entre o desenvolvimento da periodontite e o microbioma da região periodontal é bastante complexa.

A proposta de que patógenos periodontais específicos iniciam o processo de disbiose, e por consequência a doença, ainda é bastante investigada. Ainda não há clareza sobre a existência de qualquer patógeno chave que seja putativo com o início da doença em humanos.

Análises de amostras de microbioma retiradas de sulcos periodontais de indivíduos saudáveis, com gengivites e com lesões iniciais de periodontite, demonstraram que os microrganismos presentes nestas doenças são aqueles comensais. Patógenos de maior caráter agressivo, vistos nas lesões mais avançadas de periodontite, são ausentes ou em quantidades muito menores nas fases iniciais da doença.

A mudança para uma microflora disbiótica parece estar, em grande parte, atrelada a presença de um processo inflamatório crônico e a formação de bolsas cada vez mais profundas, que tendem a alterar o ambiente e todo a dinâmica de crescimento bacteriano.

Essa ideia foi reconhecida pela primeira vez no início de 1990, como a hipótese da placa ecológica. Nesta hipótese, o ambiente subgengival parece exercer uma pressão seletiva, mudando a composição microbiana para uma forma mais específica, e impulsionando a mudança do estado de saúde para o de doença.

O microbioma gengival associado à saúde periodontal é estável ao longo do tempo, ficando em equilíbrio dinâmico com o hospedeiro.

A gengivite já é considerada uma condição inflamatória, mas, de certa forma considerada ainda um processo estável. Entretanto, com a persistência ao longo do tempo desta inflamação, isso leva a quebra da homeostase tecidual, levando a destruição em caráter irreversível dos tecidos periodontais.

O que as pesquisas vêm confirmando é que bactérias associadas às lesões periodontais mais graves são vistas em quantidades ínfimas no estado de saúde periodontal, aumentando significativamente com o desenvolvimento de bolsas periodontais.

Em quadros de saúde e na condição de gengivite, os organismos parecem atuar em simbiose. Com excesso de inflamação e formação de bolsa, o ambiente local torna-se anaeróbico e enriquecido com produtos de degradação de tecidos, proteínas plasmáticas e hemoglobina, favorecendo o ambiente para cepas de bactérias gram-negativas proteolíticas que usam aminoácidos essenciais como fonte de energia.

Então, pensar se a disbiose inicia a doença ou é uma consequência do início da doença não foi ainda definitivamente comprovada.

As bactérias são, sem dúvida, a principal causa de gengivite, mas é a resposta do hospedeiro a essas bactérias que dita se a doença progride.

Ou seja, já está claro que relação entre a disbiose e periodontite começa pela inflamação!

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